A Linguagem do Teatro Lambe-Lambe e a Caminhada de um Caixeira com Geibson Nanes

Por Marcelo de Sousa e Geibson Nanes
06/02/2021

Resumo: Esta é uma entrevista realizada pelo ator, diretor e ativista cultural Marcelo de Sousa com interesse em que este registro atue como multiplicador da linguagem do teatro lambe-lambe. Para tal foi estendido o convite à Geibson Nanes, um dos caixeiros de mais evidência no atual cenário da linguagem na Paraíba e Canhotinho (PE), para a presente entrevista. O artista conta suas experiências artísticas, sua pesquisa em educação, suas perspectivas sobre o teatro lambe-lambe e introduz um panorama da linguagem em relação ao coronavírus e a crise causada devido à pandemia da COVID-19. 

Palavras-Chave: teatro lambe-lambe, Paraíba, rasga mortalha, educação, pandemia.

 

MARCELO DE SOUSA: Como você se apresenta enquanto artista?

GEIBSON NANES: Artista professor, ator, contador de histórias, performer, bonequeiro e artesão de atrevimento, eu sou Geibson Nanes, artista de Canhotinho (PE), com o pé na Paraíba.

M.S.: O que é o teatro lambe-lambe e quando você entrou em contato com a linguagem?

G.N.: É um teatro em miniatura que utiliza bonecos, sombras, objetos e outras formas animadas para contar uma história dentro de um espaço cênico minúsculo. Comumente é utilizado uma caixa, mas, podendo conter outros formatos. O espectador assiste a história por uma brecha feita na caixa e escuta a narrativa por fones de ouvido. Tem uma duração de no mínimo um e, no máximo, cinco minutos. Foi criado para que apenas um espectador por vez assista à história, como forma de valorizar a presença e diminuir a distância entre o artista e o público. Conheci a linguagem em 2017 através do ator e produtor cultural Joesile Cordeiro, que é integrante do Coletivo Hetéaçã e da Cia. Teatro de Bonecos (AL). O coletivo estava em circulação com o espetáculo Mamulengo do Ambrósio e se apresentaram em João Pessoa (PB). Como contrapartida do projeto ministravam oficinas, nessa ocasião recepcionados pela A Casa Núcleo - Produtora Cultural, Joesile ministrou um minicurso de teatro lambe-lambe e como resultado surgiu as Lambelambeiras de João Pessoa (PB) composta por Geissy Reis, Naiara Cavalcanti e Livya Meneses, que fizeram uma apresentação com os espetáculos que foram criados no minicurso. Eu não pude fazer a oficina, mas consegui ter uma boa conversa com ele. Foi o suficiente para despertar encantamento e interesse em criar um espetáculo de pequenas dimensões. E comecei a pesquisar na internet tudo que estivesse relacionado a linguagem: espetáculos, artigos, entrevistas, monografias etc. O universo do teatro de formas animadas já fazia parte das minhas pesquisas quando estudava licenciatura em teatro pela UFPB, mas, foram a Cia Tato Criação Cênica, LesTroisClés-Eros P Galvão, a Raquel Mutzenberg e Millena Machado do Spectrolab, o grupo Boiúna Luna e Lúcia Serpa os e as responsáveis em me introduzir nas linguagens das formas animadas. As experiências que adquiri por meio de cursos e oficinas, contribuíram para que eu conseguisse criar o meu primeiro espetáculo de teatro lambe-lambe, o Rasga Mortalha.

M.S.: Como você analisa essa linguagem no estado da Paraíba?

G.N.: Percebo que está em desenvolvimento de uma forma lenta e natural, tanto por ser uma linguagem muito nova no cenário das artes, quanto pelo fato de não existir muitos multiplicadores. Por um tempo acreditei que Joesile havia sido o responsável por apresentar o teatro lambe-lambe na Paraíba. Então resolvi fazer uma enquete no meu instagram para saber se as pessoas conheciam o teatro lambe-lambe ou se alguém na Paraíba tinha algum contato com a linguagem. Haviam pessoas que conheciam por ouvir falar, alguns assistiram espetáculos em outros estados. Outros não tinham a menor ideia do que se tratava. E uma grande surpresa e satisfação foi descobrir que existiam pessoas que passaram por oficinas de criação de espetáculos. O professor Osvaldo Anzolin teve uma experiência um pouco mais aprofundada, o artista e palhaço Kleber Marone chegou a criar um espetáculo, mas não apresentou. O professor da UFPB Everaldo Vasconcelos também comentou que chegou a fazer uma oficina, mas que utilizou por mais vezes sua caixa como ferramenta pedagógica para abordar questões cenográficas. Ou seja, dentro dessa pesquisa que realizei, esses foram os precursores do teatro lambe-lambe na Paraíba. É claro que possa existir muitos outros e outras das quais não tenho conhecimento, uma vez que, essa pesquisa alcançou um número pequeno. Mas, posso afirmar com total convicção enquanto um pesquisador da área, que a ação formativa ministrada por Joesile Cordeiro foi fundamental para desencadear uma sequência de ações e afetações em outros artistas como foi o meu caso e das lambelambeiras, de tal maneira que o movimento vem ganhando corpo e adeptos. Com o tempo foram surgindo outros caixeiros e caixeiras, resultado também de uma ação formativa ministrada por Livya Meneses.

Figura 01 – Cartaz Lambelambeiras.

Fonte: Cartaz extraído do Facebook.

G.N.: Infelizmente, as lambelambeiras não duraram muito tempo, assim como os outros. Somente Naiara Cavalcanti continuou com o espetáculo e juntos fizemos a circulação pelo alto sertão paraibano. Depois da turnê, Naiara encostou a caixa e continuei minha jornada. Apresentei em praças de João Pessoa, feiras de artesanato e brechó, no Castelo de Histórias, na Feirinha de Tambaú, voltei para Souza (PB), no festival FICABIII (Festival de Inverno do Castelo Branco - 3ª edição), na MUAC (Mostra Universitária Artes em Cena) da UFPB, no Armazém Teeteto, dei uma entrevista para TV Arapuan e Rádio Tabajara falando sobre o Rasga Mortalha e o que é teatro lambe-lambe; participei do ENEARTE (Encontro Nacional de Estudantes de Artes) e aos poucos  adentrando outros espaços e olhos curiosos.

Figura 2 – Teatro Lambe-Lambe

Foto: Sara Andrade, no FICABIII.

M.S.: Entre os profissionais que têm experiência com a linguagem é notável a relação de muitos com a pedagogia. Como o teatro lambe-lambe e a educação se relacionam?

G.N.: O teatro lambe-lambe está diretamente relacionado com a educação desde a sua origem. Eu vou contar um pouco da história de forma resumida para você entender melhor. Em 1989, no estado da Bahia, Denise Di Santos e Ismine Lima criaram o teatro lambe-lambe. Essa linguagem teve como principal referência os antigos fotógrafos de lambe-lambe. Veja bem, esse teatro vai surgir a partir de uma necessidade de repensar o lugar da encenação. Em 1989, Denise estava trabalhando em uma escola com oficinas pedagógicas sobre educação sexual e utilizava do teatro de bonecos para abordar as temáticas. Na ocasião, criou uma boneca de espuma grávida para abordar a questão do nascimento. Ismine Lima, que é sua parceira de trabalho, achou interessante, mas o espaço no qual seria encenado não era apropriado, visto que o parto é de uma natureza tão íntima e delicada, que não se faz a céu aberto, em público, portanto, era necessário pensar qual seria o espaço mais adequado para essa encenação. Então surgiu a brilhante ideia de miniaturizar o espetáculo num formato que coubesse dentro de uma caixa semelhante à dos profissionais da fotografia de lambe-lambe, desta forma, seria possível criar um lugar de intimidade e aproximar o espectador, de uma forma sensível, de um assunto tão especial e sagrado que é o parto. Nasceu, então, o primeiro espetáculo de teatro lambe-lambe A Dança do Parto, encenado até hoje. E é por isso que afirmo que o teatro lambe-lambe e a educação estão diretamente relacionados, pois surgiu dentro de uma sala de aula para tratar de assuntos pedagógicos. A linguagem não deve ser resumida a esse aspecto, pois é uma linguagem artística e contemporânea do teatro de formas animadas. No entanto, dentro de um ambiente escolar, seja ele formal ou não, é uma ótima, senão uma perfeita ferramenta pedagógica para trabalhar a interdisciplinaridade. Em toda linguagem artística é possível, mas como estamos falando do teatro lambe-lambe vou pontuar algumas possibilidades. Para educadores de literatura é possível trabalhar as questões de gênero textual como cartas, contos, microcontos, crônicas, poemas, receitas, autoficção e tantos outros gêneros que podem ser adaptados a estrutura de uma dramaturgia de teatro lambe-lambe. Para educadores de matemática e física podem sugerir criar a iluminação de um espetáculo em miniatura e com isso estudar sobre cálculos e fórmulas, óptica, fontes de energia, instalação elétrica, eletrônica, amperes, voltagem, potência elétrica, lei de ohm, etc. Os de história podem sugerir que os educandos encenem a história de algum(a) personagem que foi importante e que muitas vezes nem nos livros estão ou pouco se fala, como é o caso de Esperança Garcia, Dandara, Antonieta de Barros, Carolina de Jesus e tantas outras mulheres negras e homens negros que tiveram sua importância histórica, mas por uma questão de racismo estrutural, são silenciadas(os) e apagadas(os) historicamente dos livros. Outra coisa, vivemos em uma sociedade endurecida, apática para questões humanitárias. Então, a arte-educação precisa mesmo adentrar as escolas e desenvolver uma alfabetização estética, sensibilizar e trazer a poesia para perto da vida. Melhor seria se a nossa educação estivesse voltada para a vida e não só para o trabalho, tampouco para essa corrente louca e competitiva de uma formação para passarem em vestibulares e concursos. O resultado disso é desastroso. É preciso se relacionar com o mundo de forma estética e eu acredito que as artes e o teatro lambe-lambe com sua singularidade e poética consegue acarinhar e alcançar o ser sensível, a criança interior que existe em cada um. 

M.S.: E comparando linguagens próximas, qual a relação que hoje se faz entre o teatro de lambe-lambe com o teatro, digamos, formal?

G.N.: É difícil comparar linguagens, pois cada uma tem sua particularidade, né? Mas o que posso dizer é que todos os parâmentos do teatro de atores e atrizes fazem parte do teatro lambe-lambe, ou seja, dramaturgia, cenografia, iluminação, maquiagem, figurino, direção, etc. Estão todos ali num formato de pequenas dimensões. Então, para uma pessoa que nunca teve contato com teatro é possível conhecer através do lambe-lambe todas as dimensões e ciências que o compõem enquanto uma expressão artística. Uma outra coisa muito bacana nessa linguagem é a produção de baixo custo e praticidade de deslocamento. Viajar com um espetáculo de atores e atrizes requer custos altíssimos porque envolve transporte, alimentação, hospedagem e outros fatores aqui não citados. Não é que no teatro de lambe-lambe essa realidade não exista, mas devido ao fato de que você pode fazer “sozinho”, os custos se tornam menores. Como no Brasil não existe uma cultura de valorização e de programas de incentivos mais eficientes em comparação a outros países, isso acaba afetando a produção e a circulação dos espetáculos, essa é uma questão que vem afetando os grupos de teatro a ponto de reduzirem o número de participantes para que possam ter mais condições de desenvolverem e circularem com seus projetos. Raquel Mutzenberg escreveu um artigo para a Revista Anima, que fala um pouco sobre isso:

A arte do teatro na contemporaneidade é influenciada pelas condições de produção e sobrevivência de seus atores, as questões econômicas definem os formatos que são praticados. É comum enxugar a equipe técnica para ter espetáculos ou performances que caibam dentro de uma mala e, consequentemente, ter uma leveza que o torne mais viável a participar de eventos e viajar para alcançar outros públicos. No teatro de formas animadas encontramos muitos exemplos de bonequeiros de rua que levam seus trabalhos a feiras ou calçadões, sem depender de equipe ou grandes cenários. (MUTZENBERG, 2016, p.10).

G.N.: Então, um teatro em miniatura, como é o caso do teatro lambe-lambe, que é encenado dentro de uma caixa que você mesmo pode carregar ou desmontar para caber dentro de uma mala de viagem, te ajuda a enfrentar essa realidade tão dura para os artistas. Sem contar o fato da democratização da arte, essa linguagem consegue chegar a lugares que um espetáculo formal não seria possível, a exemplo, a zona rural é um espaço que pouco tem acesso às artes cênicas, o teatro lambe-lambe pode ser apresentado numa calçada, na janela de uma casa, enfim, lugar não falta. Isso mesmo! Um espetáculo de lambe-lambe é uma casa de teatro!

M.S.: Qual o valor, em média, de um espetáculo de teatro lambe-lambe?

G.N.: Qual o valor de uma obra artística? É difícil mensurar, né? Bem, mas a média vai variar para cada região, ambiente ou contexto em que está inserido. É comum que os caixeiros e caixeiras passem o chapéu ou cobrem um valor simbólico entre dois a cinco reais. Há também quem coloque uma plaquinha com os dizeres: “pague quanto puder” ou “quanto vale?”. Outros utilizam maquinetas para aqueles que dizem que não tem dinheiro em espécie, só no cartão. Quanto a essa questão, esses artistas estão se reinventando e buscando formas de sensibilizar o público. Não se tem uma cultura de consumo consciente de arte no Brasil, o artista ainda é visto como um pedinte. Nem todos entendem que aquele trabalho do artista pode ser sua principal fonte de renda. Então, acredito eu que, quando o Estado se ausenta cabe ao artista esse processo de educar e conscientizar o seu espectador sobre o valor financeiro de sua obra e de suas dimensões no campo afetivo. É um trabalho de formiguinha mesmo! Principalmente nesse momento nebuloso em que o fascismo anda solto e a golpear educadores, artistas e cientistas. Então, para rachar essa realidade é preciso golpear com poesia, acarinhar com arte. Remédio para endurecidos é arte.

M.S.: Essa é uma linguagem artística de grande ascensão, em várias partes do país e também internacionalmente. Em que nível, em sua opinião, está a propagação da linguagem em comparação com as políticas públicas para a área?

G.N.: Eu percebo que o teatro lambe-lambe está em grande ascensão, é como um vírus no aspecto positivo que vem contagiando e se propagando em todas as direções. Essa linguagem tem apenas trinta e um anos e já ganhou o mundo, começou na Bahia, foi para o Sul e Sudeste onde se vivencia com maior efervescência. Tomou conta do Brasil e já está presente em vários países como França, Portugal, México, Argentina, Uruguai e Chile, que inclusive é onde acontece o maior festival de teatro lambe-lambe na cidade de Valparaíso.  Quanto à questão de políticas públicas é preciso lutar e dialogar para ampliação e efetivação de meios que viabilizem a produção. Já existem festivais, mostras, mini-mostras, bienais, revistas sobre o assunto, disciplinas em universidades, ou seja, há um reconhecimento e portas se abrindo para esse universo.

M.S.: Vamos falar sobre o seu espetáculo Rasga Mortalha. Primeiro, por que Rasga Mortalha? E do que fala a obra?

G.N.: Rasga mortalha, para quem não conhece, é uma coruja muito conhecida aqui no Nordeste. Há uma crendice, que povoa o imaginário das pessoas dessa região, que seu canto ou o som que emite, que é semelhante a um tecido sendo rasgado, possa trazer mau agouro, sinal de que alguém vai morrer ou notícias ruins. Então, ouvir uma rasga mortalha é um sinal de alerta de que algo ruim pode acontecer. Parti dessa perspectiva e nomeei o espetáculo. Enquanto o espetáculo Rasga Mortalha aborda a questão do aprisionamento e o especismo numa inversão de valores. A história acontece em uma vila governada por pássaros, onde existe uma delegacia que suspeita que possa estar acontecendo algum crime na calada noite, e uma loja que vende animais que durante a madrugada passa a comercializar humanos engaiolados para criação doméstica. De uma forma bem resumida é sobre isso que fala o espetáculo. 

Figura 3 – Teatro Lambe-Lambe

Foto: Covil Audiovisual.

Figura 4 – Teatro Lambe-Lambe

Foto: Covil Audiovisual.

M.S.: Como foi a experiência da turnê que você fez com o Rasga Mortalha no alto sertão?

G.N.: Essa turnê teve o apoio da UFPB e parceria com o Coletivo Dell’Arte da cidade de Sousa (PB), que foi quem proporcionou a circulação. Foi uma experiência incrível, cada lugar que apresentamos e pessoas que assistiram foram impactadas de uma forma muito singular, tenho algumas lembranças que guardo com carinho. Na cidade de Cajazeiras (PB), por exemplo, um homem de aproximadamente quarenta anos chorou ao assistir ao espetáculo, pois o fez pensar sobre a crueldade de tirar o direito à liberdade. Complementou que nunca tinha pensado em como seria se os pássaros pudessem se vingar e engaiolar os seres humanos. Em Marizópolis (PB), um senhor da melhor idade, achou que estávamos tirando fotos de lambe-lambe; perguntou quanto custava e ficou surpreso em saber que se tratava de um espetáculo em miniatura. Também relatou algumas lembranças da juventude quando a intervenção dos fotógrafos era mais frequente nas feiras e praças públicas. Concluiu comentando sobre as semelhanças entre a caixa-espetáculo e a caixa-fotográfica. Em Vieirópolis (PB), algumas crianças achavam que era mágica e segundo elas teria sido a primeira vez que assistiram a um espetáculo de teatro na vida. Uma outra experiência que não esqueço, mas que não foi no sertão é de uma criança que ficou muito revoltada e chateada com o ser humano engaiolado, colocou a mão dentro da caixa na tentativa de pegar a gaiola e tirar a bonequinha. Ela reclamou para a mãe dizendo que eu era um homem mal.  

M.S.: Como o teatro lambe-lambe e seus agentes estão enfrentando essa crise causada pela pandemia da COVID-19?

G.N.: Não é muito diferente de outros artistas, são as mesma dificuldade e desafios de se reinventar em meio ao caos pandêmico e político. Tivemos uma particularidade que é a questão de ser um espetáculo muito próximo e as caixas, se não forem bem isoladas, podem ser um grande foco de contaminação. Assim como as demais expressões artísticas, estamos respeitando as medidas preventivas e as apresentações no formato virtual foram a melhor alternativa que encontramos para nos mantermos ativos na cena. Já em Valparaíso, no Chile, foi possível apresentar o festival de teatro lambe-lambe, mesmo na pandemia. A organização do festival seguiu todas as medidas e protocolos de prevenção: caixas bem isoladas, álcool em gel, máscaras e medidor de temperatura, tudo ocorreu bem e nos trouxe bons ensinamentos. Uma coisa muito boa que acontece dentro dessa reinvenção e utilização das plataformas como youtube, instagram e google meet, é que oportuniza uma rede de compartilhamento de experiências, reunindo pessoas de vários estados, cidades e países num mesmo espaço de troca e aprendizagem através de festivais, workshops, oficinas, conversas e cursos, como nunca ocorreu. Isso contribuiu de uma forma imensurável para uma descentralização e uma rede muito mais ampla de formação e troca de experiências entre caixeiros e caixeiras.

M.S.: Para finalizar, peço que nos deixe uma mensagem de incentivo para experienciar o universo do teatro lambe-lambe.

G.N.: Ismine Lima disse: “O mundo precisa de teatro lambe-lambe como as cidades precisam de bicicletas. Somos um estilo de fazer teatro, não somos um formato”. (LIMA, 2011, p. 7). Para aqueles que se aventurarem em experimentar a linguagem, saibam que é a experiência da intimidade, do encurtamento da distância entre o artista e o espectador, é a valorização da presença, é olho no olho, é compartilhar um segredo por meio de um espetáculo, é um jeito de frear a monotonia e o tédio dos transeuntes.

 

REFERÊNCIAS

MÜTZENBERG, R. Consumo enquanto experiência: caixinha de teatro lambe lambe nas ruas de Cuiabá. Revista Anima, Cuiabá, n. 05, p. 10-15, 2016.

LIMA, I. O mundo precisa de Teatro Lambe-Lambe. Revista de Teatro Lambe-Lambe, Itajaí, n. 02, p. 6-7, 2011.

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23/02/2021 - Ismine lima

Uma felicidade ler sua entrevista, sempre penso que quem faz com profundidade um teatro lambe-lambe refaz a nossa experiência do primeiro e quando a primeira pessoa assiste se tem certeza que encontramos a nossa forma de nos manifestarmos através da arte. Principalmente quando queremos chegar nas pessoas que tem fome de tudo.! Digo, de teatro, leitura, brincar etc Obrigada companheiro me perguntam se eu tenho orgulho, não tenho, tenho felicidade. E já é uma riqueza.