A farofa é o prato mais brasileiro da culinária política, social e cultural do país.

Na panela de inox, de barro, de alumínio ou de ferro, a farofa é uma reunião de costumes, queixumes e ingredientes que, juntos, espelham imagem e semelhança de um autêntico mosaico gastronômico social. O pesquisador Antônio Cândido catalogou 27 tipos de farofa no Brasil. Na real, cada canto do país tem sua farofa de estimação, mas é na região Nordeste que o prato tem identidade própria. Para o nordestino, farofa é ritual, uma representação de força. Sinônimo de energia, de vida. Aqui se faz, aqui se come, aqui se vive. E com um prazer indescritível no corpo e na alma.


O Farofa Crítica nasce a partir desse ritual de mastigação cênica, onde palavras são ingredientes a mais num universo de contrastes e texturas tão rico quanto diverso. Somos um coletivo de críticos de teatro, performance e dança. Somos artistas, pesquisadores, jornalistas e acadêmicos exercitando, com respeito aos artistas, às obras em cena, ao público e à nós mesmos, a arte de escrever, opinar, aplaudir e questionar. Somos Diogo Spinelli, George Holanda, Heloisa Sousa, Paul Moraes, Paulinha Medeiros e Rafael Duarte.


Importante destacar a amplitude do diálogo na construção deste Coletivo. O Farofa Crítica é fruto de reflexões com dois renomados críticos de teatro do cenário nacional. O paulista Valmir Santos, do Teatro Jornal, e a carioca Daniele Avila Small, do Questão de Crítica, estiveram em Natal em 2013 e 2016 à frente de oficinas sobre crítica teatral e foram fundamentais no estímulo para que o Farofa Crítica surgisse no cenário potiguar.


Devemos também nossa gratidão a dois colaboradores essenciais deste Projeto: o desenvolvedor de sites Gilberto Galindo, responsável pelo portal Farofa Crítica, e a designer Gabriela Pacheco, criadora da nossa logomarca e suas derivações. Aos dois, nossos sinceros agradecimentos.


Num cenário deserto de crítica na área de teatro, performance e dança, o Farofa Crítica deseja e espera contribuir com a produção de Natal ou de qualquer outro lugar do mundo onde nossos cinco sentidos alcançarem. Aos leitores e ao público em geral, deixamos também nosso convite para, através das redes sociais e do próprio portal, participar e ampliar o debate em torno do processo de criação, montagem e apresentação dos grupos e artistas da cidade. Lançando nossos olhares, correremos o risco de colher sentimentos. E é para correr riscos que existimos.

A farofa está servida.
Merda a todos.